quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A FRAGILIDADE DOS VALORES

Tantas coisas mudam de sentido! 
Muita coisa que ora foi boa, hoje é ruim, e o que dava receio, hoje é necessário. 
O que parecia moderno ficou velho e obsoleto, e o que parecia antigo e inútil hoje é valoroso.
O futuro sempre reproduz o passado, e mesmo assim temos que descobri-lo.
O futuro muda alguns conceitos, mas não muda a essência da vida humana. 
O trabalho que já foi desonroso hoje é honroso. 
O que era belo hoje pode ser feio, e o que foi horrendo hoje pode ser esplêndido.
A submissão perdeu seu dono e a formalidade está reformulada.
Quem não tinha alma hoje a detém, e hoje quem revoluciona não reina.



O Tempo Não Pára   -  Cazuza

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou o cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha no palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

PRESSA DE VIVER, MELANCOLIA DE VIVER

Após o meu grande divisor de águas tive pressa de viver,
depois pressa de amar, mas após um período comecei a cansar.
A vida tem um chão repleto de pedregulhos, e a dor é lancinante,
de vez em quando cessa, mas sempre ela retorna.
Estou descobrindo como repousar esquecendo os apegos do coração,
que se um dia me libertassem me deixariam viver em paz.
O medo de recair é grande, pois em algum momento acabo nocauteada pela saudade,
e a melancolia domina todo meu ar.
Não posso mais sofrer, e a vida deve ser aproveitada com harmonia,
para chegar sem muitas chagas ao destino final.
Se o outro não consegue manter a paz em plenitude, tenho que me recolher,
e esquecer com a ajuda do tempo os sonhos construídos.
Sem calor, sem diálogo e sem um ombro para encostar a cabeça,
como um órfão que se acostuma com seu próprio calor e o travesseiro.



Bonitinha e útil, a lagartixa doméstica:


Nome Popular: Lagartixa Doméstica, Taruíra, Briba.
Tamanho: até 17 cm.
Cores: marrom acinzentado
Tempo de Vida: até 8 anos






Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Sauria
Família: Gekkonidae
Subfamília: Gekkoninae
Gênero: Hemidactylus
Espécie: H. mabouia


Existem centenas de espécies de lagartixas, principalmente nas regiões quentes do mundo. A primeira e a última imagem são de um lindo exemplar de lagartixa leopardo, as demais são da lagartixa doméstica. As lagartixas que convivem no mesmo habitat que o homem, são muito úteis como predadoras de pragas domésticas, por isso devemos mantê-las. São excelentes trepadoras, e podemos vê-las caminhando pelos lugares mais difíceis. Elas possuem grande habilidade para subir facilmente por paredes, e até chegar ao teto, por onde anda de cabeça para baixo. Nunca perde a aderência, porque tem, entre os dedos, fileiras de pequenas lâminas transversais forradas de pêlos microscópicos em forma de ganchos. Esses pêlos se prendem à mínima saliência de qualquer superfície e podem aderir melhor do que ventosas.
Algumas têm hábitos diurnos; outras, noturnos. A dieta da lagartixa doméstica inclui insetos, aracnídeos e escorpionídeos, sendo muito útil como predadora natural de pragas domésticas como baratas e pernilongos.







domingo, 26 de agosto de 2012

Amor, decepção e tristeza


Amor, decepção e tristeza, porque andam juntos?
Depositamos todas as fichas e podemos perder tudo,
e o pior mal é saber do risco e assim mesmo jogar,
será a vontade de tentar experimentar a felicidade ou fé demasiada?
A falta de correspondência, compreensão, preocupação e amor alheios  é vitalício?
Dizem que decepção não mata, mas ensina viver...
Aprender dói e ainda não sei bem o que aprendi,
já que a razão não manda nas minhas escolhas.
Olhar para a frente e continuar é o único jeito,
Dizer Adeus traz a dor e as lágrimas,
e a questão que fica é a da sobrevivência.
E o sentimento que fica é a eterna dor das boas lembranças.



HUMOR X












segunda-feira, 13 de agosto de 2012

INSÔNIA


Não durmo, nem espero dormir. 
Nem na morte espero dormir. 

Espera-me uma insónia da largura dos astros, 
E um bocejo inútil do comprimento do mundo. 

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite, 
Não posso escrever quando acordo de noite, 
Não posso pensar quando acordo de noite — 
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite! 

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer! 

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo, 
E o meu sentimento é um pensamento vazio. 
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam 
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo; 
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam 
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo; 
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada, 
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo. 

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro. 
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo. 
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda. 
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer, 
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir. 

Estou escrevendo versos realmente simpáticos — 
Versos a dizer que não tenho nada que dizer, 
Versos a teimar em dizer isso, 
Versos, versos, versos, versos, versos... 
Tantos versos... 
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim! 

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir. 
Sou uma sensação sem pessoa correspondente, 
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê, 
Salvo o necessário para sentir consciência, 
Salvo — sei lá salvo o quê... 

Não durmo. Não durmo. Não durmo. 
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma! 
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir! 

Ó madrugada, tardas tanto... Vem... 
Vem, inutilmente, 
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta... 
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste, 
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança, 
Segundo a velha literatura das sensações. 

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança. 
O meu cansaço entra pelo colchão dentro. 
Doem-me as costas de não estar deitado de lado. 
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado. 
Vem, madrugada, chega! 

Que horas são? Não sei. 
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio, 
Não tenho energia para nada, para mais nada... 
Só para estes versos, escritos no dia seguinte. 
Sim, escritos no dia seguinte. 

Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte. 
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora. 
Paz em toda a Natureza. 
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras. 
Exactamente. 
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras. 
Costuma dizer-se isto. 
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece, 
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece. 
Exactamente. Mas não durmo. 

Álvaro de Campos, in "Poemas" Insônia
Heterónimo de Fernando Pessoa




quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O amiguinho

 Amiguinho, amiguinho
é muito bom vê-lo sossegado
seus olhos são de anjo
vivendo para dar afago

é um colega simpático
tem focinho de chocolate
eu adorei estar com você
meu dia foi de felicidade

quando com você brinquei
com muito carinho 
um miado suave ganhei

também queria calor
vi que és uma pequena estrela
esperando amor