domingo, 3 de março de 2013

A cidade - do sacro ao profano



   Cidade dos demônios, cidade com ou sem encantos? Cidade cinza que guarda a melancolia.
Cidade das longas noites, do álcool no sangue e do fumo na boca, do sexo na mente e nas mãos ardentes.
Nuvens cinzas carregam o choro contido, como em dia de finados, o dia nublado. Pessoas profanadas ainda temendo o sacro.
   Cidade do trem das onze, do asfalto da dor, do cheiro de bar. Das mortes anônimas aos nascimentos quaisquer, seu cheiro é distinto e tem algo a mais. O mistério das ruas e da cultura devassa, embala a todos mas não encoraja os fóbicos. Os utópicos e donos da verdade constroem suas noites, materializando poetas e meretrizes, cantores e ouvintes, enamorados e decepcionados. Vou para meu ninho, deixando um pedaço de mim nessa cidade marcada. Os sonhos terminam, o jogo continua. E a velha cidade espera sua transformação, com a mistura de gente e choque de concepções. A noite é outra dimensão, é impressionante vivê-la, mas haverá um custo. Do sacro ao profano, eu passeio por ela, à descobrir onde é o meu lugar. Minha mente desenha os desejos, mas o corpo espera pelo descanso. Espíritos vagueiam pela noite e corpos se perdem para a eternidade.

Luciana