segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FREDERICO

 
    Em momentos de grande tristeza, melancolia e resignação ele esteve ao meu lado parecendo querer me consolar. Isso é tão verdadeiro e lindo que falo de meu ouro, meu gato de 12 anos, sempre ao lado me dando carinho, enquanto que nesse mesmo tempo muitas pessoas passaram pela minha vida deixando-me dores, indignação e decepção. Este ser é muito mais valioso do que muitos indivíduos humanos. Me emociona lembrar das horas que enquanto eu sofria aos prantos, ele me afagava de seu jeito e sentava ao meu lado com um semblante sério. Sim, quem convive com essas criaturas acaba conhecendo bem as mudanças de humor e as identificando na face do animal, tanto na alegria, como na dor e quando estão a pensar em algo. Verdadeiro amor.


GRANDES NOMES E OS GATOS


"Existem dois meios para se refugiar das misérias da vida: música e gatos"

Albert Schweitzer



    Professor Albert Schweitzer (1875-1965), teólogo, músico, filósofo, missionário e médico alemão, filho de uma pastor protestante, foi um dos melhores intérpretes de Bach e um excelente construtor de órgãos, recebeu o prêmio Nobel da Paz de 1952, foi um dos precursores da bioética, e em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências em Paris sobre o problema da ética na evolução do pensamento. Leia este trecho:
"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação. Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o universo e a vontade nele manifestada".


Outras citações do mesmo:


"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes".


"O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens".


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Carlos Drummond de Andrade

     Carlos Drummond de Andrade, consagrado poeta, contista e cronista brasileiro (1902-1987) nascido em Minas Gerais, se formou em farmácia, fundou "A revista" para divulgar o modernismo no Brasil , isto em 1930, ano que também publicou sua primeira obra poética "Alguma poesia".


 "Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual".


Carlos Drummond de Andrade


  


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História de Uma Gata (Enriquez - Bardotti - Chico Buarque)

Interpretado por Vanessa da Mata



 

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram
O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé... de gato
Me diziam todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás
De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás

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FERREIRA GULLAR

 

Gato pensa?
 
Dizem que gato não pensa
Mas é difícil de crer.
Já que ele também não fala
Como é que se vai saber?

A verdade é que o Gatinho,
Quando mija na almofada,
Vai depressa se esconder:
Sabe que fez coisa errada.

E se a comida está quente,
Ele, antes de comer,
Muito calculadamente,
Toca com a pata pra ver.

Só quando a temperatura
Da comida está normal,
Vem ele e come afinal.

E você pode explicar
Como é que ele sabia
Que ela ia esfriar?



O ronron do gatinho  

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho.

O ronron do gatinho Interpretado por Adriana Calcanhoto:



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 PABLO NERUDA

Oda al gato
Pablo Neruda

Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.
El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.
No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.
Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.
Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.
Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.    
Ode ao Gato
 
Os animais foram
imperfeitos,
compridos  de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogara as moedas da noite
Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na imterpérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundissimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insignia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
díscipulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalcullável,
a botânica,
o gineceu com os seus extrávios,
o pôr e o mesnos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos tem números de ouro.
(Navegaciones y Regresos, 1959)
 
                                                                Pablo Neruda






HUMOR VI



















sábado, 28 de janeiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AS RELAÇÕES, A FELICIDADE, AS SEPARAÇÕES E A TRISTEZA

   As pessoas têm a necessidade de se relacionar com outras, e no decorrer da vida podem acontecer muitas surpresas. Você pode encontrar a pessoas ideal, e estar feliz, porém, é rara a continuidade da felicidade. Acredito que tudo é relativo, tudo depende da nossa idade e época da vida, comportamento próprio e do parceiro, entre outros fatores. Mas o que tenho certeza, é da fragilidade feminina quanto aos relacionamentos. Acredito que o ser humano manifesta um misto de instinto selvagem e princípios elaborados pela sociedade onde está inserido, obviamente, lembrando que comportamento varia de indivíduo para indivíduo. Mas parece que o indivíduo masculino tende a desempenhar um pouco mais de seus instintos, lembrando que na natureza, a maioria das espécies e seus machos se preocupa apenas em se alimentar e conseguir copular, deixando seu material genético em cada fêmea que conseguir. Enquanto a fêmea prepara o ninho para receber a sua prole, fato que na maioria das vezes se repete por muitos e  muitos ciclos. Sendo assim penso que o desenvolvimento intelectual humano em sua evolução, se fez de tal forma que não se ajustou a essas diferenças entre os sexos, gerando um desequilíbrio para os moldes da sociedade atual. Não gosto de generalizar coisa alguma, pois enxergo tudo como relativo, mas falo da maioria. Existem indivíduos do sexo masculino que agem bem diferente dos machos comuns, assim como existem as do sexo feminino que conseguem se sair como um indivíduo macho. Escrevo tal texto para discutir o que tenho observado e passado, e que talvez ajude outras pessoas na reflexão sobre as relações e suas consequências. 
   Sou crente que a felicidade é transitória, ela nunca permanece para sempre e é uma jóia frágil e fácil de se quebrar, cuja tentativa de conserto nunca a deixará como já foi bela. E o fato difícil e doloroso é aceitar isso, se acostumar com isso e ensinar isto à sua prole. As relações amorosas parecem ser fundamentais para quase a totalidade das pessoas, mas entender que a dor da separação pode acontecer é difícil e para alguns inimaginável. E na sociedade atual, algumas pessoas têm feito suas relações de forma mais prática, como relacionamentos abertos, com mais de duas pessoas,  extraconjugais, eventuais e muitos outros, porém, mesmo assim existe o risco da dor, sobretudo para quem ainda tenta construir relacionamentos sérios a dois. 
   Penso que a mulher precisa copiar alguma coisa da atitude masculina, se propor a aprender a viver sem dependência e não impor relacionamento sério logo no início de um. Eu já passei por muita coisa, desde relações com homens bipolares, ciumentos ao extremo, indiferentes, equilibrados, carentes, etc, e sei que o difícil é sempre o que parece mais interessante, ou seja, ai se encontra outra inconsistência dos desejos humanos, que geralmente gera conflitos. 
   Estou aprendendo a me virar só, tenho um grande problema de dependência, de não conseguir estar só, e assim, acabo me vulnerabilizando e não sendo seletiva, o que muitas outras mulheres também fazem. Mas com muita dor e paliativos tenho aprendido, tenho ouvido, tenho sentido, tenho refletido, que devemos aceitar a natureza das pessoas, inclusive do indivíduo masculino e aprender a lidar com o diferente. E uma lição dolorosa que eu já ouvi antes mas nunca digeri, é a de que "ninguém é de ninguém", mas faço uma alteração, "ninguém nos pertence, o mundo dá voltas, nunca aposte tudo, sempre tenha um plano B, ninguém deve ser insubstituível, você tem valor e muita coisa boa acontecerá". 

27/01/2012

Continuo esta reflexão em breve...                    

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   Bem, hoje pela madrugada tento combater a insônia, causada tanto pelas minhas férias, como por mais uma separação que passo, a terceira com  a mesma pessoa que anda bem desequilibrada, insegura e com ciúmes exagerados, todavia, não sofro tanto como as anteriores, acho que é o aprendizado e o amadurecimento. Hoje achei muito conveniente para a continuidade do assunto "As relações, a felicidade, as separações e a tristeza" um pequeno de texto de Arnaldo Jabor que se encaixa como uma luva em meu momento atual:


"Mulheres mais velhas são diretas e honestas. Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um! Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça... Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos! Infelizmente isto não é recíproco, pois prá cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada, sexy e resolvida, há um homem com mais de 30, careca, pançudo em bermudões amarelos, bancando o bobo para uma garota de 19 anos... Senhoras, eu peço desculpas por eles: não sabem o que fazem! Para todos os homens que dizem: 'Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça? Aqui está a novidade para vocês: hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê? Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!" 
Arnaldo Jabor


     
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   Vida, louca vida, já que não dá para ter tudo, que eu consiga aproveitar o que parece uma nova oportunidade, um novo capítulo, uma fase de boas emoções. Mas o passado ainda ronda, e quero ser forte.
   Estou animada, acho que o meu inibidor de recaptação de serotonina é um grande parceiro, mas independente dele boas oportunidades estão surgindo. Contudo, vejo que tenho medo de ousar, mas estou estudando qual a melhor estratégia para continuar tocando a vida.
   Quando discorri sobre a fêmea que se prepara e arruma seu ninho, para receber o genitor e posteriormente a prole, encontrei uma imagem que satiriza o comportamento da mulher e do homem quanto aos modos de  organização. Engraçado observar e pensar na analogia de que o homem se preocupa com os fatores atrativos por onde passa, e a mulher com seu ninho aconchegante, aliás a mulher não está apta para seduzir todos os dias.




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MINHAS COMÉDIAS ENTRE AS TRAGÉDIAS AMOROSAS


   A vida se alterna entre lágrimas e risos, e talvez essa seja a graça da vida, e assim vou vivendo sem lenço e sem documento, experimentando cores e sabores. Estar disponível e disposta, me proporciona conhecer vários vários tipos de homens, e após chegar em casa, rir ou ficar com medo da paixão. Ultimamente tenho mais rido do que me impressionado ou apaixonado, e aprendido a curar a Síndrome do Coração Partido. Ai ai ... Ainda muita coisa vai rolar... Mas depois de adoecer algumas vezes de SCP, acho que tenho desenvolvido um pouco mais de defesas. Rir com os amigos e se amar é uma excelente terapia.



                           Amo muito tudo isso, menos as garrafas. Bebida, prefiro algo mais leve!